Archive for the ‘Sex-Literatura’ Category

Na rua com Anaïs Nin 2 – conto erótico

agosto 15, 2008

E o Pernas Abertas segue pela ruas democratizando a literatura erótica. É nóis!

Na rua com Anaïs Nin – conto erótico

agosto 14, 2008

Internet é o caralho! O grande lance é sair pela rua, arejar, esquecer essa história de teclado mouse e monitor! foi o que o pessoal do Pernas Abertas resolveu fazer por um bom tempo. Mas é preciso exercer a contradição, e é por isso que estamos aqui na maior cara dura anunciando nosso retorno triunfal. Como primeiro acepipe, oferecemos a leitura do conto erótico “Artistas e Modelos”, de Anaïs Nin, pelas ruas do Bom Fim. E como segundo acepipe, a segunda parte desse mesmo vídeo, por isso fique esperto que amanhã tem mais.

Uma câmera na mão, um gravador digital, umas páginas de erótica e a presença majestosa da poetisa Dani Sibonis: é com esses ingredientes infalíveis que o Pernas Abertas segue intrépido batalhando pela democratização da literatura e da putaria.

Me traz teu amor – parte 3 de 3

junho 6, 2008

Última parte da série: leia a anterior aqui.

Eles estavam no escuro, fazendo gostoso, quando o telefone tocou. Harry continuou, mas o telefone também continuou. Era muito incômodo. Logo seu pau ficou mole.

“Merda,” ele disse e rolou para fora. Acendeu a lâmpada e atendeu o telefone.

“Alô?”

Era Gloria. “Você está comendo alguma puta!”

“Gloria, eles deixam você ligar pra fora há essa hora? Eles não te dão um remédio pra dormir ou alguma coisa assim?”

“O que te fez demorar tanto pra atender o telefone?”

“Você nunca deu uma bela cagada? Eu estava no meio de uma das boas, você me pegou no meio de uma das boas.”

“Eu aposto que vou dar uma… Você vai terminar depois que desligar o telefone?”

“Gloria, foi essa sua maldita paranóia que pôs você onde você está.”

“Cabeça-de-peixe, minha paranóia tem sido muitas vezes o presságio de uma verdade se revelando…”

“Escuta, você não está fazendo o mínimo sentido. Dê de presente pra você mesma uma boa dormida. Amanhã vou ver você .”

“Ok, Cabeça-de-peixe, termine sua TREPADA!”

Gloria desligou.

.

Nan usava seu robe, sentada na ponta da cama com um uísque e água na cabeceira. Ela acendeu um cigarro e cruzou as pernas.

“Bom,” ela perguntou, “como está a esposinha?”

Harry entornou o copo e sentou na sua frente.

“Me desculpa, Nan…”

“Desculpa pelo quê, por quem? Por ela ou por mim ou pelo quê?”

Harry engoliu seu trago de uísque. “Não vamos fazer disso uma merda de uma novela mexicana.”

“É? Bom, e você quer fazer disso o quê? Empurrar com a barriga? Quer tentar acabar? Ou então quem sabe entrar no banheiro e se esconder?”

Harry olhou para Nan. “Que merda, não se faça de esperta. Você sabia da situação tanto quanto eu. Foi você que quis continuar!”

“Foi porque eu sabia que, se você não me trouxesse, iria trazer uma puta qualquer!”

“Caralho,” disse Harry, “aquela palavra de novo.”

“Que palavra? Que palavra?” Nan esvazio seu copo e jogou contra a parede.”

Harry caminhou um pouco, ajuntou o copo, encheu novamente, alcançou para Nan e então encheu o seu próprio copo.

Nan olhou para o copo, deu um gole, e colocou na cabeceira. “Eu vou ligar pra ela, eu vou contar tudo pra ela.”

“Só se for no inferno! Ela é uma mulher doente!”

“E você é um filha-da-puta doente!”

E nesse momento o telefone tocou novamente. Ele estava no chão, no centro do quarto, onde Harry tinha deixado. Os dois saltaram da cama em sua direção. No segundo toque os dois alcançaram, cada um agarrando uma ponta fora do gancho. Rolaram e rolaram sobre o tapete, respirando forte, todos braços, pernas e corpos em uma justaposição desesperada, e refletida daquele modo no enorme espelho do teto.

Fim.

Me traz teu amor – parte 2 de 3

junho 5, 2008

Dando sequência:

Então Harry avistou o Dr. Jensen se aproximando pelo gramado. O Dr. Jensen veio caminhando sorridente e dizendo, “Muito bem, muito bem, muito bem…”

“Olá, Dr. Jensen.” Gloria falou sem emoção.

“Posso sentar?” perguntou o doutor.

“Certamente,” disse Gloria.

O doutor era um homem pesado. Ele cheirava a peso, responsabilidade e autoridade. Suas sobrancelhas pareciam grossas e pesadas, elas eram grossas e pesadas. Queriam deslizar para dentro da sua boca circular molhada e sumir, mas a vida não queria deixar.

O doutor reparou em Gloria. O doutor reparou em Harry. “Muito bem, muito bem, muito bem,” disse ele. “Eu estou muito satisfeito com o progresso que tivemos até agora…”

“Sim, Dr. Jensen, eu estava justamente falando para Harry como eu me sinto mais estável, como as consultas e as sessões em grupo têm ajudado. Eu perdi muito da minha raiva irracional, da minha frustração constante e da minha auto-piedade destrutiva…”

Gloria sentou com as mãos pousadas no seu colo, sorrindo. O doutor sorriu para Harry. “Gloria tem feito uma recuperação notável!”

“Sim,” disse Harry, “eu percebi.”

“Acho que é uma questão de um pouco mais de tempo e aí Gloria poderá ir com você para casa de novo, Harry.”

“Doutor?” Gloria perguntou. “Posso fumar um cigarro?”

“Ora, é claro,” o doutor falou pegando um maço estranho de cigarros e retirou um. Gloria apanhou o cigarro e o doutor lhe estendeu seu isqueiro banhado a ouro, acendendo-o de um golpe. Gloria inspirou, expirou…

“Você tem belas mãos, Dr. Jensen,” ela disse.

“Ora, obrigado, querida.”

“E uma gentileza que cuida, uma gentileza que cura…”

“Bom, nós fazemos o melhor possível neste velho lugar…” disse gentilmente o Dr. Jensen. “Agora vou pedir licença a vocês dois, eu tenho que falar com alguns outros pacientes.”

Ele livrou facilmente seu corpo volumoso da cadeira e fez caminho até uma mesa onde outra mulher visitava outro homem.

Gloria encarou Harry. “Aquela merda gorda! Ele come no almoço o que a enfermeiras cagam….”

“Gloria, foi maravilhoso ver você mas é um longo percurso até em casa e você precisa descansar. E eu acho que o médico está certo. Eu notei alguma melhora.”

Ela riu. Mas não foi uma risada alegre, foi uma risada teatral, como uma fala memorizada. “Eu não fiz progresso nenhum, na verdade, eu retrocedi…”

“Não é verdade, Gloria…”

Eu sou a paciente, Cabeça-de-peixe. Eu posso fazer um diagnóstico melhor que qualquer pessoa.”

“Que é isso de ‘Cabeça-de-peixe’?”

“Nunca ninguém te disse que você tem uma cabeça que parece um peixe?”

“Não.”

“Na próxima vez que você se barbear, dê uma olhada. E tome cuidado pra não arrancar suas escamas.”

“Eu estou saindo agora… mas vou visitar você de novo, amanhã…”

“Da próxima vez, traga o condutor.”

“Tem certeza que não quer que eu traga nada?”

“Você só está voltando pro hotel pra comer aquela puta!”

“Digamos que eu traga um exemplar da New York? Você gostava da revista…”

“Enfia a New York no teu cu, Cabeça-de-peixe! E enfia em seguida a TIME!”

Harry se estendeu e alcançou a mão com a qual ela bateu no próprio nariz. “Deixe elas juntas, continue tentando. Você vai ficar boa logo…”

Gloria não deu sinal de ter ouvido. Harry levantou-se devagar, virou-se e caminhou em direção à escada. Quando estava no meio do caminho, ele se voltou e fez um pequeno aceno à Gloria. Ela continuou sentada, imóvel.”

.

Eles estavam no escuro, fazendo gostoso, quando o telefone tocou. Harry continuou, mas o telefone continuou. Era muito incômodo. Logo seu pau ficou mole.

“Merda,” ele disse e rolou pra fora. Acendeu a lâmpada e atendeu o telefone.

Continua aqui

Me traz teu amor – parte 1 de 3

junho 5, 2008

Eles me sacanearam. Mas agora é minha vez. A primeira das três partes de Bring me your love, conto de Charles Bukowski inédito no Brasil, com ilustrações de Robert Crumb. Tradução deste modesto servo que voz fala. Papa fina:

Me traz teu amor

Harry desceu as escadas e deu no jardim. Vários pacientes estavam lá fora. Disseram para ele que sua esposa, Gloria, estava lá. Ele a viu sentada sozinha em uma mesa. Ele se aproximou obliquamente, para um lado e um pouco para o fundo. Ele circundou a mesa e sentou tranversalmente abaixo dela. Gloria sentou bem reta, estava bem pálida. Ela olhou para ele mas não o viu. Então viu:

“Você é o condutor?”

“Condutor do quê?”

“Condutor da verossimilhança”

“Não, não sou.”

Ela estava pálida, seus olhos estavam pálidos, azul pálido.

“Como você está, Gloria?”

Era uma mesa de ferro, pintada de branco, uma mesa que duraria séculos. Havia uma pequeno vaso de flores no centro, flores murchas mortas, penduradas pela tristeza, talos moles.

“Você é um putanheiro, Harry. Você come putas.”

“Isso não é verdade. Gloria.”

“Elas te chupam também? Elas chupam teu pau?”

“Eu ia trazer sua mãe, Gloria, mas ela ficou mal com a gripe.”

“A morcega velha está sempre mal com alguma coisa… Você é o condutor?”

Os outros pacientes sentaram nas mesas ou se escoraram nas árvores ou se esticaram no gramado. Estavam imóveis e silenciosos.

“Como é a comida aqui? Você tem amigos?”

“Péssima. E não. Putanheiro.”

“Você quer alguma coisa pra ler? Quer que eu traga alguma coisa pra ler?”

Gloria não respondeu. Ela então levantou sua mãe direita, olhou para ela, cerrou o punho e socou ela mesma direto no nariz, forte. Harry levantou-se e agarrou ambas as mãos dela. “Gloria, por favor!”

Ela começou a chorar. “Por que você não me traz uns chocolates?”

“Gloria, você me disse que odiava chocolate.”

Suas lágrimas rolaram profusamente. “Eu não odeio chocolate! Eu adoro chocolate!”

“Não chora, Gloria, por favor… Eu vou trazer chocolates, o que você quiser… Escuta, eu aluguei um quarto de hotel a umas duas quadras daqui, só pra ficar perto de você.”

Seus olhos pálidos se dilataram. “Um quarto de hotel: você está lá com alguma vadia. Vocês assistem a filmes pornôs juntos, e tem um espelho enorme no teto!”

“Eu vou estar aqui por uns dias, Gloria,” Harry diz suavemente. “Eu vou trazer tudo o que você quiser”

Me traz teu amor, então,” ela gritou. “Por que caralho você não me traz teu amor?

Alguns pacientes se viraram e olharam.

“Você quer me trazer chocolates? Bem, enfia eles no tu cu.”

Harry tirou um cartão da sua carteira. Era do hotel. Ele entregou a ela.

“Eu só quero te dar isso antes que eu esqueça. Você tem permissão pra ligar pra fora? Me liga se você precisar de qualquer coisa.”

Gloria não respondeu. Ele pegou o cartão e guardou em uma coisinha retangular. Ela então se curvou, tirou um dos sapatos, colocou o cartão no sapato e calçou o sapato novamente.

Então Harry avistou o Dr. Jensen se aproximando pelo gramado. O Dr. Jensen veio caminhando sorridente e dizendo, “Muito bem, muito bem, muito bem…”

“Olá, Dr. Jensen.” Gloria falou sem emoção.

“Posso sentar?” perguntou o doutor.

“Certamente,” disse Gloria.

Continua aqui

Pau no Coelho!

junho 2, 2008

O homem da imagem acima é odiado por 11 entre 10 intelectuais acadêmicos. Mas em breve esse quadro irá sofrer mudanças drásticas. Estimativas calculam que, em menos de um mês, 32 em cada 10 intelectuais acadêmicos passarão a odiar perdidamente Paulo Coelho. Não se trata apenas de que o mesmo biógrafo de Olga Benário e Assis Chateubriand se debruçou sobre vida do mago até transformá-la em livro. Trata-se também de que ele não tem vergonha de sair dizendo por aí que queimou a rosca em tenra idade.

Sinceridade e uma biografia escrita por Fernando Morais: haja ouvido e paciência para aguentar os queixumes dos doutores de nossa valorosa província nos próximos meses…

Fui lesado!

maio 28, 2008

Fui lá eu abrir o pacote com uns livros que encomendei há exatamente um mês, feliz que era um pinto no lixo. Tinha comprado três livros que não encontrava por essas bandas, e, carinhosamente lembrando dos leitores do Pernas Abertas, acrecentei mais um que apareceu no site vendedor por casualidade. É essa coisa que você vê aí em cima, um livro do putanheiro Bukowski, ilustrado pelo Crumb. Um texto que não foi traduzido por essas terras, exclusivo pra esses calejados leitores, seria uma preza das melhores. E ainda com o plus a mais de ter a caneta lasciva de Robert Crumb. Botei no carrinho virtual e fui feliz.

Resultado: acabo de descobrir que paguei dez dolares por seis – 06, sim, meia dúzia – de páginas em offset de Bukowski, e cinco desenhos preto e branco – tá, o da capa é colorido – de Crumb. Veja você mesmo a finurinha disso, eles com certeza imprimiram numa máquina de xerox:

Mas enfim, foda-se o tufo! O que continua importando é que a história é do caralho; e, como bom pirata, estarei socializando o continho em alguns dias nessas telas. É nóis!