Archive for the ‘Sex-Cinema’ Category

Harriet e o desejo

setembro 11, 2009
Mônica e o desejo

Mônica e o desejo

          O cinema sueco e Ingmar Bergman não seriam nada sem as suas mulheres. De todas as beldades que Bergman traçou em sua vida e que compartilhou com o mundo através das telonas, nem uma é tão lasciva quanto Harriet Andersson (1932 – ). Seja no papel de uma adolescente rebelde, em Mônica e o desejo (1953), ou como na empregada safada de Sorrisos de uma noite de amor (1955), e mesmo interpretando uma esquizofrênica, em Através de um espelho (1961), Harriet se mostra única na sua sensualidade sem maquiagens, só na boca carnuda e nos olhos apertadinhos que escondem e convidam.

 

dani-si

Nascidos em Bordéis

janeiro 24, 2008

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Acabei de ver um documentário (na poluída, barulhenta e [sem querer gerar cacofonias] violenta) Porto Alegre, enquanto o pessoal do Pernas roda pelo mundo. Nascidos em Bordéis (Born Into Brothels: Calcutta’s Red Light Kids; 2004) mostra a vida de crianças, filhos de prostitutas, que nascem e crescem em bordéis no bairro da Luz Vermelha, em Calcutá.

Na Índia é grande o número de crianças nessa situação. São elas que fazem as atividades domésticas, morando em pequenas peças que se amontoam em cortiços, tendo que ir brincar no telhado ou na rua quando a mãe tem trabalho. Essas crianças moram no “escritório” da família e não têm acesso à educação. Os pais geralmente são cafetões ou donos do bar em que os clientes bebem antes de ir para cama com as mulheres, quando não as abandonam antes de nascer. Culturas a parte, os direitos humanos devem ser universais e atendidos.

Depois do filme, rolou um debate sobre a prostituição no Brasil com uma cientista social, casada, prostituta por opção e membro da Rede Brasileira de Prostitutas. Coragem e orgulho foram necessários para ela assumir quem realmente é para uma platéia de cerca de 20 pessoas. Que vitória!

A luta pela descriminalização da prostituição segue, mas sabe como é, o Congresso está cada vez mais eclesiástico…(se a maioria é tão santa, como pode haver tanta falcatrua?).

A questão é que a prostituição sempre existiu e seguirá existindo enquando sexo for tão bom quanto é. A própria Rede Brasileira de Prostitutas condena e luta contra a exploração infantil e o tráfico de pessoas. O objetivo da descriminalização é tornar o trabalho sexual uma profissão, regulamentando-a com leis como o registro das prostitutas e exames de saúde obrigatórios, para construir uma legislação que defenda os direitos de todos e não apenas de alguns, já que algumas mulheres, de diversas classes sociais, escolhem a profissão por livre arbítrio, assumindo os riscos e aproveitando o lado positivo – como em qualquer outra atividade.

O fim do preconceito é outra luta destas mulheres. Muitas delas trabalham em cidades diferentes das quais moram para não serem apontadas nas ruas pelo seu ofício. Preconceito e gente mesquinha [pleonasmo] têm em toda parte. A sociedade segue hipócrita, difamando condenando refugando a prostituição como se o sexo não fosse uma das maiores indústrias do mundo.

Sexo animado

setembro 30, 2007

Pessoal, muito gente não sabe, assim como eu também não sabia, mas o primeiro festival internacional de animação erótica do mundo é brasileiro! E em novembro chega à sua segunda edição! É nóis!

O FIAE 2007 reúnirá no Rio de Janeiro longas e curtas metragens de vários países, desde que sejam animações e que tenham o sexo, o erotismo e o amor por tema. A vinheta ali em cima é a oficial do evento e foi feita pelo homem-multimídia Ondrej Rudavsky. Sim, com esse nome ele só poderia ter nascido na Eslováquia.

E não perca! Em breve, o Pernas Abertas estará lançando sua campanha para representar sua honrosa comunidade de leitores no festival.

Cinema Gay

setembro 26, 2007

Oi, gente! Mais cinema gay para todas as idades e orientações.

Que tal assistir um filme que ganhou oitenta e três prêmios, incluindo cinco Oscar e três Golden Globes? Beleza Americana (American Beauty, de Sam Mendes. Eua, 1999) é uma rara unanimidade de crítica e público. Trata de temas como adultério, drogas, vida profissional e virgindade. Escrita pelo ativista gay Alan Ball a história é um retrato íntimo da vida familiar estadunidense, que apresenta muitos “desajustes” sempre muito bem escondidos dentro do armário.

As Horas (The Hours, de Stepehen Daldry. EUA, 2002) é outra dica. Com uma narrativa requintada dá conta da vida de três personagens em épocas distintas. Com atuações perfeitas o filme é perturbador, assim como foi a vida da protagonista, Virginia Woolf.

Contando a história real de um casal de assaltantes gays a trama de Plata Quemada é dividida em segmentos de ação e de segmentos de trama psicológica. É um dos melhores filmes latino-americanos sobre homoafetividade. Plata Quemada é uma super-produção de 2002 dirigida por Marcelo Piñeyro, que conta com uma equipe vasta entre eles, argentinos, uruguaios, espanhóis e franceses.

A dica nacional que tenho é responsável pela emergência de um dos grandes atores brasileiros de todos os tempos (embora ele esteja fazendo papéis sofríveis e de mau gosto nas novelas globais): Lázaro Ramos. Madame Satã (de Karim Aïnouz. Brasil/França, 2002) é o melhor filme gay brasileiro de todos os tempos. Conta a história da construção do mito Madame Satã, um malandro, negro e gay, marginalizado, que morou na Lapa na década de 1930. A fotografia do filme é de extrema beleza e está ligada ao aperfeiçoamento da técnica do cinema nacional.

Amor em dias de chuva…

setembro 24, 2007

Oi, Gurizada!Desculpem-me pela longa ausência. A vida na pós-modernidade porto-alegrense é mesmo corrida. Especialmente para quem é aluno da Clarice Esperança e da Cida Golin, é estagiário e ainda tem um emprego. Aliando isso à minha rotina de “dono de casa” e minha falta de inspiração, vocês entenderão porque estive fora do circuito.

Agora, com esse tempo chuvoso e chato, estou de volta e com dicas de filminhos para as colegas bibas, pois o que nos resta com esse tempo é pegar uma panela grande de brigadeiro com granulado, um cobertor e se atirar na frente da TV.

Hoje em dia eu não gosto de filme de putaria pura, já tive fases solitárias, mas quem aí nunca as teve? Então, quero falar de filmes que todos os públicos podem assistir, sem medo, inclusive para os homens héteros é uma boa dica. Mulheres adoram homens sensíveis e sem preconceito.

Bom, para quem está no início do namoro recomendo romances:

Todas as cores do amor (Goldfish Memory, de Elizabeth Gil. Irlanda, 2003): o cenário do filme é composto por imagens inesquecíveis de Dublin. A música é, pasmem, de Tom Jobim e o roteiro se desenvolve de maneira envolvente, falando de amor de uma singela a partir da vida de personagens com as mais variadas orientações sexuais.

A razão do meu afeto (The object of my affection, de Nicholas Hynter. EUA, 1998): apesar de ser uma produção do grande circuito estadunidense, o filme surpreende pela proposta de sair quebrando todos os estereótipos possíveis a partir da seqüência de cenas que nos conduz suavemente a um romance definitivo, com o qual, no final das contas, todos sonhamos.

Para quem está numa fase mais sólida do relacionamento está na hora de rir para não cair na monotonia. As dicas são A gaiola das Loucas, tanto a versão original, francesa, de 1978, quanto a refilmagem de 1996, que traz Robin Williams em atuação definitiva e Amor a toda prova, produção menos conhecida mas com alta qualidade e com um elnco de primeira linha. A história é inteligente, mesclada com o estilo pastelão, tem uma anã raivosa, maravilhosa, e um serial killer.

Por fim, um clássico.

Morte em Veneza (Morte a Venezia, de Luchino Visconti. Itália/França, 1971): baseado no livro de Thomas Mann, conta a história da atração sexual entre um compositor de meia-idade e um rapaz adolescente. Indicado ao Oscar de melhor figurino e vencedor do prêmio especial do Festival de Cannes Morte em Veneza é uma obra de qualidade técnica inquestionável, sempre citada como uma obra-prima do melhor cinema mundial, o cinema italiano.

Sexo, ocultismo e subversão em DVD

setembro 20, 2007

Passeando pela blogosfera, fiquei sabendo do lançamento dos filmes de Kenneth Anger em DVD. Apesar de os discos não serem lançados no Brasil, é uma ótima oportunidade para baixar na rede os filmes de um dos maiores ícones do cinema underground.

Apesar de ter nascido na Califórnia, nas barbas de Hollywood, Anger ficou conhecido como um dos cineastas mais independentes de todos os tempos. Realizava filmes considerados por muitos de seu colegas verdadeiras obras-primas de edição, sem falas, apenas imagens alucinadas que falavam por si. Seus temas preferidos: o sexo e o ocultismo. Fez filmes com trilhas sonoras de Jimmy Page (Led Zeppelin) e Mick Jagger (Rolling Stones) e explorava a sexualidade ao extremo ao mesmo tempo em que se aventura pela religiosidade de Aleister Crowley – sim, o mesmo mago venerado por Raul Seixas em sua Sociedade Alternativa sob o nome de Thelemá.

A carreira de Anger desponta em 1947, com Fireworks, se identificando com a geração beat ao negar o “pesadelo com ar-condicionado” que era o american way of life se estabelecendo, e tentar buscar a transcedência em outros pagos, sempre em busca de liberdade.

Por um tablete de manteiga

setembro 3, 2007

hummm

Com 19 aninhos, a atriz Maria Schneider estreou no cinema ao lado de Marlon Brando, já com seus 42. Último Tango em Paris (1972) tem na direção e também dividindo o roteiro o mais francês dos italianos, Bernardo Bertolucci. Perturbardor é o mínimo adjetivo que se pode destinar ao filme. A trama se desenvolve basicamente em um quarto vazio. O casal se encontra acidentalmente e depois para satisfazer seus instintos. Quando a moça pergunta o nome do homem com quem divide os gemidos, ele urra: grrrrhumm. Não é necessário nomes ou conceitos ali.

Somente em 1979 que o Último Tango pôde ser bailado no Brasil por causa de duas cenas. Numa delas, Paul (Brando) fala para Jeanne (Maria) cortar as unhas do indicador e do dedo do meio para que estes encontrassem seu destino sem machucá-lo. Ela enfia os dedos no cu dele a pedidos. A outra cena foi o próprio Brando quem sugeriu e Bertolucci apoiou. No chão, ele se besunta com manteiga e faz sexo anal com a jovem no carpete do apartamento.

A película se tornou um clássico, embora nem todos tenham ficados satisfeitos. Maria Schneider disse em entrevista a um jornal britânico que se arrependeu de ter feito o filme com Bertolucci. “Quando me falaram da cena [da manteiga], eu tive uma explosão de raiva. Eu joguei tudo que estava à minha volta. Ninguém pode forçar alguém a fazer algo que não está no script. Mas eu não sabia isso. Eu era muito jovem. Então, eu fiz a cena e chorei. Minhas lágrimas em cena eram verdadeiras.”

Estrear nas telonas tendo o ânus como protagonista contra sua vontade deve ser difícil para qualquer um…

último tango em paris

 

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eis a famosa cena…