Archive for the ‘Poesia’ Category

Mais Helena

setembro 8, 2009
.
Abraço teu tronco com minhas pernas
e teu pescoço tranforma em colar meus braços
Sinto o mundo me levantar
na alavanca dos teus joelhos
Todo meu corpo suspenso
Tua carne
meu único eixo

poema de Helena

Para saber mais da militante erótica, clique aqui.

vênus

setembro 4, 2009

dani-si

nunca estive tão cereja

serpentina e sabiá

dissolvida em sal de fruta

e pensamentos liquefeitos

sussurro suor saliva

tua mão brincando em minha vênus

Três haicais

agosto 31, 2009

1.

Meu hakai

é só fodelança

2.

Senta na minha vara

toma pau e tapa

e goza

3.

Abre bem esse cu

aproveita e se mostra

pra quem gosta

Postado por Fodoaldo Reis

devagar

agosto 22, 2009

(por: bitchy bitch)

queres

que eu seja

mais

apressada?

que nada

para não queimar a língua

te como pelas beiradas

sobre iluminações e o caralho a quatro

maio 6, 2008

Quando a barra dos favoritos aparece piscando, e você pensa “eu ainda quero, mas não desse jeito”, é hora de mandar todo mundo se foder e fazer do jeito que for. E se a droga que me chapa agora é essa, é essa que eu vou colocar na roda. Então segue um poema dum cara que anda me chapando muito, um cara parecido mas completamente diferente de tudo que falei aqui. Gary Snyder é o filho mais iluminado da geração beat, e, em última análise, o mais rebelde: que caiu fora da terra dos irmãos e foi ter treinamento durante seis anos num templo budista, voltou e se enfiou numa fazendinha da Califórnia pra ter a vida mais natural que podia. É com um poema dele que eu vos deixo, com o retorno à terra, àquele seio que de onde saímos. Não tem ninguém berrando ali, mas, acreditem, é aterrador como um uivo.

.

Depois do trabalho

A cabana e algumas árvores

pairam na névoa que sopra

.

Eu tiro sua blusa

e aqueço minhas mãos frias

nos seus seios

você ri e estremece

descascando alho junto ao

calor do fogão.

recolho o machado, o ancinho,

a lenha

.

nos encostaremos na parede

um contra o outro

um guisado cozinha devagar no fogo

enquanto anoitece

bebendo vinho.

.

da coletânea de Gary Snyder re-habitar: ensaios e poemas, traduzido por Luci Collin

Kaddish para Allen Ginsberg

abril 6, 2008

Volta e meia encontro com alguma coisa que – pah – me faz voltar a Allen Ginsberg. E assim faço, e o devoro por horas e horas, como aconteceu nesse domingo. A impulso de publicar aqui alguma coisa sua foi tão gigantesco que saí imediatamente procurando desculpas. Não demorou nada e encontrei: ontem o mundo fechou onze anos sem Ginsberg. Segue nossa homenagem, poema resultado das vivências com Neal Cassady, o mais macho e inflamável de todos os beats, e que mesmo assim foi imediatamente seduzido pelo poeta. Uma semana e uma vida inteira com muita poesia a todos:

Poema de amor sobre um tema de Whitman

Entrarei silencioso no quarto de dormir e me deitarei entre noivo e noiva,

esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,

braços pousados sobre os olhos na escuridão,

afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei sua pele

e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e abrirei e mostrarei seu traseiro,

pernas erguidas e dobradas para receber, caralho atormentado na escuridão, atacando

levantado do buraco até a cabeça pulsante,

corpos entrelaçados nus e trêmulos, coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra

e os olhos, olhos cintilando encantadores, abrindo-se em olhares e abandono,

e os gemidos do movimentos, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,

mãos na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres

até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençois

e a noiva grite pedindo perdão e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão

e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos e beijos de adeus –

tudo isso antes que a mente desperte, atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida

cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite, fantasmas desnudos buscando-se no silêncio.

*

Tradução de Claudio Willer, em “Uivo, Kaddish e outros poemas”, coleção L&PM Pocket.

Enemigos íntimos

fevereiro 14, 2008

2008 marca os dez anos do álbum Enemigos íntimos, primeiro e último trabalho conjunto de dois dos maiores trovadores da língua hispânica. Todos conhecem o argentino e chapliniano Fito Páez, já a história de Joaquín Sabina não é tão popular. Filho único de Rocco Sifredi, Bob Dylan, Leonard Cohen, Frank Sinatra, Diego Maradona e Francisco Couco; Sabina nasceu na Espanha e aos seis anos de idade já tinha comido todas as mulheres de seus progenitores, fez a mala e se transformou no maior cantautor jamais visto.

Não é preciso dizer que o resultado do trabalho em conjunto resultou em um discaço, cheio de pérolas musicais e poéticas. Como o próprio Sabina definiu, foi um disco feito em boliches e não em conservatórios, um disco nu, enfim, um verdadeiro disco de rocanrol. O fim da história, parece ter sido também intenso: segundo consta, os egos em conflito geraram muito mais inimizade do que intimidade, não houve nenhuma apresentação ao vivo, e apenas um clipe – aquela obra de arte ali em cima, é só apertar play. Dez anos depois, nada de Sabina e Páez cogitarem a hipótese de tocar juntos novamente, mas fica esse disco sensacional, esse clipe com destaque para o piano-aquário de Fito, e letras de amor e guerra com essa:

Y, al final, sale un sol
incapaz de curar
las heridas de la ciudad,
Y se acostumbra el corazón
a olvidar.

Dormir contigo es estar solo dos veces,
es la soledad al cuadrado,
todos los sábados son martes y trece,
todo el año llueve sobre mojado
Bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla.