Uma tarde no parque

by

dani-si          

         Depois de já ter piscado quatro vezes para ele sem resposta alguma, decidi me levantar do banco em que estava sentada e sentar em seu colo. Nunca tinha visto aquele homem, o que eu não considerei desvantagem por que ele também nunca tinha me visto.

          Ficamos mudos, ele sob mim, eu abraçada a um pescoço suado e sem nome e algo subiu. E sobre o algo que subia, a minha bunda grande e branca o punia de qualquer movimento. Estava cansada para iniciar aqueles jogos cansativos e o parque da cidade, às três horas da tarde de um domingo, não era o lugar mais apropriado para as bizarrices masculinas. Não gostava de trepar, o meu maior tesão mesmo era saber que alguém queria me comer

           Fiquei no colo dele até ele começar a fazer aqueles movimentos repetitivos que sempre me deram enjôo. Me levantei e fiz menção de ir embora. Ele me segurou pela mão e sorriu um riso bobo pedindo desculpa. Disse a ele que não queria sexo, que havia sentado no seu colo sem querer. Acho que ele não acreditou e me beijou um beijo molhado e quente, não quente de tesão, estava realmente muito calor e ele estava suado, mas não fedia. Ponto para ele. Perguntei seu nome e ele fez gestos com a mão. Era mudo e fiquei sem seu nome, sem me importar, afinal, de que me adiantaria se ele houvesse dito o nome, a situação seria a mesma.

         Ele me apontou um carro velho e tirou as chaves do bolso. Pegamos o carro que tinha cheiro de perfume de avó e fomos para um kitnet no centro da cidade. O meu desconhecido abriu a porta do apartamento, entrei sem pensar muito e sentei no sofá, pois era o sofá ou uma caixa de madeira que servia como mesa de centro. Enquanto ele mexia no som, fui para a cozinha e, embaixo da mesa, duas garrafas de vinho nos esperavam e mais algumas cervejas na geladeira: “Mudo safado, sabe como se divertir”. Partimos para as cervejas porque estava muito calor.

          É chato quando se é uma pessoa falante e se está bebendo com um cara impossibilitado de diálogos. A tendência é triplicar o número de palavras ditas a cada mililitro de álcool no sangue. Não me segurei e falei durante muito tempo, enquanto ele alisava a minha coxa sorrindo sempre aquele sorriso bobo. Um sorriso cada vez maior e eu falando do meu passado mais sofrível. 

          Ele estava tão bêbado quanto eu e também queria me contar a sua história por que fazia gestos, tentava pronunciar alguma coisa, grunhia algumas vezes. Eu tentava entender, mas nem de longe conseguia. A bebida estava no fim e eu não queria mais ficar com ele. Já o via rindo da minha história, mesmo sem ouvir uma palavra do que eu dizia. Achei uma falta de educação e me levantei, deixando a minha taça abandonada na mesa-de-caixa-de-madeira. Arrumei o cabelo e algum orgulho e fui embora sem me importar com aquele sorriso besta.

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