Me traz teu amor – parte 3 de 3

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Última parte da série: leia a anterior aqui.

Eles estavam no escuro, fazendo gostoso, quando o telefone tocou. Harry continuou, mas o telefone também continuou. Era muito incômodo. Logo seu pau ficou mole.

“Merda,” ele disse e rolou para fora. Acendeu a lâmpada e atendeu o telefone.

“Alô?”

Era Gloria. “Você está comendo alguma puta!”

“Gloria, eles deixam você ligar pra fora há essa hora? Eles não te dão um remédio pra dormir ou alguma coisa assim?”

“O que te fez demorar tanto pra atender o telefone?”

“Você nunca deu uma bela cagada? Eu estava no meio de uma das boas, você me pegou no meio de uma das boas.”

“Eu aposto que vou dar uma… Você vai terminar depois que desligar o telefone?”

“Gloria, foi essa sua maldita paranóia que pôs você onde você está.”

“Cabeça-de-peixe, minha paranóia tem sido muitas vezes o presságio de uma verdade se revelando…”

“Escuta, você não está fazendo o mínimo sentido. Dê de presente pra você mesma uma boa dormida. Amanhã vou ver você .”

“Ok, Cabeça-de-peixe, termine sua TREPADA!”

Gloria desligou.

.

Nan usava seu robe, sentada na ponta da cama com um uísque e água na cabeceira. Ela acendeu um cigarro e cruzou as pernas.

“Bom,” ela perguntou, “como está a esposinha?”

Harry entornou o copo e sentou na sua frente.

“Me desculpa, Nan…”

“Desculpa pelo quê, por quem? Por ela ou por mim ou pelo quê?”

Harry engoliu seu trago de uísque. “Não vamos fazer disso uma merda de uma novela mexicana.”

“É? Bom, e você quer fazer disso o quê? Empurrar com a barriga? Quer tentar acabar? Ou então quem sabe entrar no banheiro e se esconder?”

Harry olhou para Nan. “Que merda, não se faça de esperta. Você sabia da situação tanto quanto eu. Foi você que quis continuar!”

“Foi porque eu sabia que, se você não me trouxesse, iria trazer uma puta qualquer!”

“Caralho,” disse Harry, “aquela palavra de novo.”

“Que palavra? Que palavra?” Nan esvazio seu copo e jogou contra a parede.”

Harry caminhou um pouco, ajuntou o copo, encheu novamente, alcançou para Nan e então encheu o seu próprio copo.

Nan olhou para o copo, deu um gole, e colocou na cabeceira. “Eu vou ligar pra ela, eu vou contar tudo pra ela.”

“Só se for no inferno! Ela é uma mulher doente!”

“E você é um filha-da-puta doente!”

E nesse momento o telefone tocou novamente. Ele estava no chão, no centro do quarto, onde Harry tinha deixado. Os dois saltaram da cama em sua direção. No segundo toque os dois alcançaram, cada um agarrando uma ponta fora do gancho. Rolaram e rolaram sobre o tapete, respirando forte, todos braços, pernas e corpos em uma justaposição desesperada, e refletida daquele modo no enorme espelho do teto.

Fim.

3 Respostas to “Me traz teu amor – parte 3 de 3”

  1. PD Says:

    Cara, este texto é muito bom.

  2. Caio Bov Says:

    Excelente conto, muito boa tradução.

  3. O Bêbado Says:

    Bom trabalho!

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