sobre iluminações e o caralho a quatro

by

Quando a barra dos favoritos aparece piscando, e você pensa “eu ainda quero, mas não desse jeito”, é hora de mandar todo mundo se foder e fazer do jeito que for. E se a droga que me chapa agora é essa, é essa que eu vou colocar na roda. Então segue um poema dum cara que anda me chapando muito, um cara parecido mas completamente diferente de tudo que falei aqui. Gary Snyder é o filho mais iluminado da geração beat, e, em última análise, o mais rebelde: que caiu fora da terra dos irmãos e foi ter treinamento durante seis anos num templo budista, voltou e se enfiou numa fazendinha da Califórnia pra ter a vida mais natural que podia. É com um poema dele que eu vos deixo, com o retorno à terra, àquele seio que de onde saímos. Não tem ninguém berrando ali, mas, acreditem, é aterrador como um uivo.

.

Depois do trabalho

A cabana e algumas árvores

pairam na névoa que sopra

.

Eu tiro sua blusa

e aqueço minhas mãos frias

nos seus seios

você ri e estremece

descascando alho junto ao

calor do fogão.

recolho o machado, o ancinho,

a lenha

.

nos encostaremos na parede

um contra o outro

um guisado cozinha devagar no fogo

enquanto anoitece

bebendo vinho.

.

da coletânea de Gary Snyder re-habitar: ensaios e poemas, traduzido por Luci Collin

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: