E se tivessem abortado o Sérgio Cabral Filho?

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Confesso que ando sem inspiração para o Pernas ultimamente. Não, eu não fiquei frígido, gente. Só andava sem muitas coisas pertinentes a dizer.

Mas agora estou de volta, ferino.

Para o meu retorno resolvi comprar um O Sul. Estava a fim de falar sobre uma matéria que me chamou a atenção. Me decepcionei. Para início de conversa tive que pagar R$2,00 pela edição. Como podem ter coragem de cobrar tanto por um jornal tão ruim?
Mas o pior foi a matéria. A manchete é: “Pesquisas feitas em países tão diferentes como Estados Unidos e Romênia demonstram que o aborto reduz a criminalidade.” (Faço questão de frisar que tinha ponto final na manchete.)
O título não tem nada a ver com o corpo da matéria. A história é a seguinte: político consciente e democrático, preocupadíssimo com questões sociais, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, declarou que as favelas cariocas são fábricas de marginais. O Sul, por sua vez, decidiu entrevistar o economista Samuel Pessoa. Ele produziu uma pesquisa que sustenta a opinião do bem intencionado governador carioca.
Em síntese, o digníssimo pensador brasileiro afirma em sua pesquisa que crimes contra o patrimônio (furto e roubo) estão associados à renda dos delinqüentes. E que crimes contra a vida, relacionados à falta de estrutura familiar do homicida.
Para o problema das altas taxas de homicídio no país, Pessoa tem a solução. Ele afirma que “se a natalidade fosse menor entre adolescentes e famílias desestruturadas no Brasil, há 20 anos, hoje provavelmente teríamos menos crimes.” Impressionante, não? Como ninguém chegou a uma conclusão tão óbvia antes? Certamente Samuel Pessoa é um iluminado.

Aaparentemente, agora as culpadas pela criminalidade são as meninas adolescentes que caem no papo fiado de seus namorados ignorantes, ou dos caras que as estupram. E as famílias, que são desestruturadas só porque são pobres, e não porque não há políticas sérias de educação nesse país. O que fariam as moças que vivem nestas tristes condições se tivessem chances reais de saírem da miséria para qual foram empurradas sem misericórdia?

Em tempo: sou super a favor do aborto, quando este é uma vontade consciente da gestante. E não tenho critérios de classe ou etnia para defender de cara limpa a minha convicção.

Uma resposta to “E se tivessem abortado o Sérgio Cabral Filho?”

  1. Ale Lucchese Says:

    matar enquanto tah na barriga, pra poupar a policia de subir o morro e matar qdo jah tiver grande… lamentável, melhor nem comentar

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