Entre veludos & perversões: o sexo doentio.

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Deixe-me contar a vocês a história do nobre francês Gilles de Rais (1404 – 1440 ~ pronuncia-se ‘Guíl dã Ré’), contemporâneo e brother-in-arms da Donzela de Orleans, a famosa Joana D’Arc. Serviu a França como um guerreiro devoto, tendo sido um importante personagem para impedir que o país fosse derrotado na Guerra dos Cem Anos. Ele poderia ser mais um incluído no hall dos heróis nacionais, mas não é. Por quê?
Gilles de Rais é também considerado um dos primeiros serial killers da história, acusado de seqüestrar, torturar, mutilar, estuprar e por fim assassinar diversas crianças – em especial belos meninos plebeus. Reza a lenda que o próprio Rais confessou estes crimes sob ameaça de tortura, mas a história jamais explicou direito se ele seria realmente esse monstro, ou apenas um nobre que cruzou o caminho de quem não devia, tendo seu nome eternamente manchado na história. Tamanha a mancha, que diz-se ter sido ele a inspiração do temível personagem Barba Azul, que matava suas esposas pouco tempo depois do casamento.

Do que sabe da história do maníaco, é que muito cedo ele perdeu os pais, tendo sido então criado por seu avô, Jean d’Craon, homem esperto e sem escrúpulos. A primeira lição que Jean ensinou para o seu neto foi que ele, como herdeiro da segunda maior fortuna da França, estava acima da lei. Ou seja, ele começou sua educação sem rédeas nem relho que o impedissem de realizar qualquer capricho. A segunda lição de seu avô foi a arte da guerra, que o transformou num excelente guerreiro.
Mas, a mesma vida guerreira que o colocou em destaque (ele foi conselheiro de Joana D’Arc, para depois abandoná-la quando foi ‘vendida’ ao ingleses), fez com que ele ganhasse diversos inimigos políticos. Seu avô, em seu leito de morte, estava arrependido do montro que havia criado, e doou várias de suas terras e riquezas aos pobres, além de entregar a espada da família para o irmão mais jovem de Gilles, Rene de Rais.
Humilhado publicamente por ter sido denegado em favor de seu irmão, sem mais a sobra de seu avô para vigiá-lo e afastado dos seus serviços militares, Gilles pode então mergulhar cada vez mais fundo em sua decadência.

A vida calma de soldado aposentado não era para ele; Gilles havia crescido na violência e na matança da guerra, e não apenas isso, em muitos momentos a própria sociedade em que ele viveu legitimou e honrou tais atos. Assim que ‘beixou a poeira’, ele precisou de uma nova via para satisfazer a sua própria psicopatia, que havia sido alimentada com um baixíssimo autocontrole e a brutalidade da vida no exército. Pelo ano de 1432-1433, os assassinatos começaram.
Etienne Corrillaut, cúmplice de Gilles em diversos crimes, narra que o nobre mandou seqüestrarem um menino de 12 anos. Depois, vestiu-o da melhor maneira, deu-lhe uma refeição de príncipe, acompanhada de um estimulante chamado hipocras (vinho tinto com gengibre, cravo, canela e açúcar). Depois de toda a opulência, ele levou o menino até uma sala, onde finamente a criança se deu conta do que o aguardava. Aí o que se seguiu foi uma série de horrores, incluíndo mais de um estupro e, por fim, a morte.
Gilles de Rais dificilmente mantia uma criança por mais de uma noite, e muita vezes transava com ela após ferí-las mortalmente ou até mesmo quando já estavam mortas. Por vezes masturbava-se sobre o cadáver, gozava sobre os orgãos expostos da vítima e ria. Embora algumas pessoas já soubessem de suas perversões, Gilles, já enloquecido completamente, só foi preso e condenado quando ele decidiu seqüestrar um padre. Afinal, crianças pobres são crianças pobres – mas o padre, ah, o padre é a mão de Deus. Não dá pra deixar esse representante divino nas mãos de um Hannibal sexual.

Mas enfim…sei que essa história deve ter deixado você se sentindo um pouquinho enjoado. Mas pessoas satisfazendo as mais variadas depravações sexuais não são exatamente figuras raras. Estupradores, pedófilos, seqüestradores que abusam de suas vítimas antes de matá-las, pessoas que só sentem prazer às custas da dor e da humilhação do outro.
Esse lado perverso da sexualidade é conhecido e talvez algum pedacinho dele – claro, não tão extremado e dantesco quanto em Gilles de Rais – esteja na fantasia de pessoas ‘sãs’. Mas é lá que devem ficar: na fantasia. Porque quando vazam para a realidade, fazem com que a sexualidade machuque os outros, e seja novamente acusada de ser um pecado, uma doença. E mais uma vez, ela é confinada no limbo da repressão e da incompreensão, por causa da loucura de alguns e do silêncio de outros. E essa repressão despertará a semente da depravação em alguns e…e assim continua. O circulo vicioso de uma sexualidade mal-aceita e deformada.

Leia mais:
Wikipedia
Gilles de Rais

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